13 de junho de 2012

Caracterização petrográfica e geoquímica dos diques máficos do Município de Vila Rica, nordeste de Mato Grosso
TCC 2011 | Resumo

Luana Laiame de Oliveira

Orientação:
Prof. Dr. Paulo César Corrêa da Costa

Os enxames de diques máficos constituem estruturas conhecidas em todos os continentes, de dimensões variando de dezenas a centenas de quilômetros. Os diques máficos que afloram na região de Vila Rica - MT, estão posicionados geotectonicamente na porção sudeste do Cráton Amazônico, Província Amazônia Central (Tassinari & Macambira 1999). Neste trabalho serão apresentados os dados da geologia de campo, resultados de análises petrográficas e geoquímicas dos diques máficos da região de Vila Rica. O objetivo do Trabalho foi o de contribuir para o conhecimento geológico, caracterização petrográfica e geoquímica desses diques. Por meio dos trabalhos, foi possível identificar os seguintes litotipos: Suíte Intrusiva Vila Rica, Gabro Santa Inês, Suíte Intrusiva Rio Dourado e Diques Máficos. A Suíte Intrusiva Vila Rica ocorre em forma de blocos e morrotes. Apresenta cor cinza, granulação média, textura inequigranular e hipidiomórfica a xenomórfica, e sua mineralogia consiste de quartzo, feldspato alcalino, plagioclásio, biotita e opacos. É classificada como monzogranito com variações pequenas para granodiorito. A Suíte Intrusiva Rio Dourado ocorre em forma de blocos e morrotes suaves. Apresenta cor rosa, granulação média a grossa, textura equigranular e por vezes porfirítica. Sua mineralogia consiste de quartzo, feldspato alcalino, plagioclásio e opacos. É classificada como sienogranito. O Gabro Santa Inês ocorre em forma de blocos e lajeados. Apresenta cor verde escuro a verde acinzentado, granulação média a muito grossa, textura equigranular e por vezes porfirítica. Sua mineralogia consiste de anfibólio, plagioclásio, piroxênio, sulfetos disseminados. Acamamento críptico e rítmico são estruturas presentes. Os diques de diabásio ocorrem intrudidos nos granitos da Suíte Intrusiva Rio Dourado e Suíte Intrusiva Vila Rica, preferencialmente na direção N35-50E, ocorrem na forma de blocos e lajeados com dimensões que variam de 20 a 50 m de espessura e dezenas a centenas de comprimento. Apresenta cor cinza a cinza escuro, granulação muito fina a média, texturas equigranular, intergranular, ofítica, subofítica e intercrescimentos granofíricos, estrutura maciça, possui leve magnetismo e baixo grau de alteração. Sua mineralogia consiste de plagioclásio, piroxênio, anfibólio, minerais de alteração e opacos que ocorrem em forma de sulfetos e óxidos disseminados. O resultado da análise geoquímica visou à quantificação dos elementos maiores e traços, e por meio desses dados geoquímicos foram confeccionados os diagramas de classificação geoquímica, mobilização, variação, multielementar e discriminantes para ambiente geotectônico. Na área de estudo ocorrem litotipos das suítes intrusivas Vila Rica e Rio Dourado, a unidade Gabro Santa Inês, diques básicos e como embasamento as rochas Neoarqueanas do Complexo Santana do Araguaia e rochas vulcânicas do Grupo Iriri intrudidas nos granitos da Suíte Intrusiva Rio Dourado. Em campo, foram identificados 14 corpos de diques máficos. De acordo com a sua variação textural e mineralógica foram divididos em três grupos. Composicionalmente, os litotipos máficos (diabásio e hornblenda gabro) são classificados como magmas basálticos com afinidade toleítica. Os diques de diabásio apresentam características de basaltos intraplaca continental, enquanto que os hornblenda gabros, apresentam características de basaltos picrítico. As rochas não sofreram mobilizações significativas dos elementos químicos e os resultados das análises químicas obtidas refletem composições originais. Elementos maiores e traços permitiram separar os litotipos máficos em dois grupos: 1- diques de alto TiO2; 2- diques e hornblenda gabro de baixo TiO2. Quando comparados com outros diques do Cráton Amazônico, somente os diques de Nova Lacerda, mostraram-se empobrecidos em elementos incompatíveis. O comportamento geoquímico dos diques de alto e baixo TiO2 apresentam padrões entre E-MORB e OIB, com maior tendência para OIB. E por fim, observa-se que as semelhanças geoquímicas entre os diques do Cráton Amazônico sugerem que a colocação dos diques máficos de Vila Rica ocorreram em ambiente continental intracratônico, enquanto que os hornblenda gabros representariam um ambiente tipo MORB.


OLIVEIRA, Luana Laiame. Caracterização petrográfica e geoquímica dos diques máficos do Município de Vila Rica, nordeste de Mato Grosso. 2011, 69 f. Monografia (Graduação em Geologia) – Instituto de Ciências Exatas e da Terra, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2011.

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